Publicado em 17/08/15 | Atualizado em 17/08/15

Do Texas para o mundo: Snarky Puppy é a banda de fusion da década

Banda norte-americana mistura baião, jazz, funk, rap e minimal em seu último álbum "We Like It Here"


Formada em Denton, no Texas, em 2004, o grupo ganhou a cidade de Nova Iorque

O brasileiro faz baião como ninguém, certo? Eu diria que, às vezes sim, às vezes não. Parece que há um pensamento purista que afirma que a nossa criatividade regional é inesgotável, suprema e insuperável. Acontece que, na prática, muitas grupos sofrem de limitação, ficando encerrados em certos cacoetes musicais e de alguns compositores, sem se dar a chance de experimentar, explorar o sincretismo regional mais complexo com influências mais abrangentes.

É preciso admitir que a antropofagia artística não é um fenômeno brasileiro, mas sim humano. Isso quer dizer que, assim como nossos músicos digerem a cultura do exterior e a vomita com outro sabor, muitos compositores estrangeiros sugam os sucos dessa terra tupiniquim e produzem coisas radiantes. Um exemplo recente disso é o último álbum da banda norte-americana Snarky Puppy, que faz um fusion bastante sofisticado à base de influências globais.

Em seu último álbum, intitulado "We Like It Here" – um dos melhores do gênero, em 2014 –, Snarky Puppy mostra que as fronteiras da música são realmente inaudíveis. Com oito faixas bem versadas e produzidas, o álbum traz um som visceral e orgânico, fundindo sons regionais com bases de funk, jazz, rap, rock e minimal. No entanto, existem algumas músicas que realmente se destacam. Esse é o caso da sétima faixa, "Tio Macaco", uma das composições mais diferentes da banda.

A música mescla influências de baião e outros ritmos brasileiros, jazz e funk, começando com a pegada forte do triângulo, a bateria com a síncope da zabumba, o naipe de sopros e as palmas. O baixo segura o groove junto à harmonia ácida do piano elétrico, fazendo a cama para os solos de improviso de saxofones, trompetes e flauta transversal. No final, quem brilham são os três percussionistas da formação, que incorporam os ritmos africanos, finalizando em um break “a la Olodum”.

Além de “Tio Macaco”, o álbum é marcado pela música “Lingus”, uma verdadeira verborragia jazzística, dotada de um grande equilíbrio entre técnica e discurso musical. Essa música apresenta um dos solos de teclado mais incríveis de Cory Henry na banda. “Jambone” é outro destaque. Com influência rítmica e melódica latina e africana, o som apresenta um impressionante solo de guitarra de Mark Lettieri.

Formada em Denton, no Texas, em 2004, o grupo ganhou a cidade de Nova Iorque. A banda apresenta um coletivo que chega a cerca de 35 músicos, que são conhecidos como "The Fam" em suas gravações e turnês. Os músicos tocam uma variedade de instrumentos, incluindo guitarras, pianos, teclados, sopros, metais, percussão e cordas. O time do Brooklyn é liderado pelo baixista, compositor e produtor musical Michael League. Muitos dos membros atuais e antigos da banda já foram alunos da University of North Texas.

Além da genialidade, a banda é extremamente ágil em sua produção. Dos mais novos para os mais antigos, os álbuns da banda são: We Like It Here (2014); Family Dinner - Volume One (2013); Amkeni w/ Bukuru Celestin (2013); groundUP (2012); Tell Your Friends (2010); Bring Us the Bright (2008); The World Is Getting Smaller (2007); The Only Constant (2006).


Leia também
De cachorra à poderosa: o vestuário do funk na periferia do Rio

De cachorra à poderosa: o vestuário do funk na periferia do Rio

“Quero a música do oprimido”, afirma DJ Mukambo de Bruxelas

“Quero a música do oprimido”, afirma DJ Mukambo de Bruxelas

"A paz, como a música, é uma necessidade universal”

"A paz, como a música, é uma necessidade universal”

"Trabalhar com o Bob Marley era muito difícil", diz Junior Marvin ao Moozyca

"Trabalhar com o Bob Marley era muito difícil", diz Junior Marvin ao Moozyca

Carnaval da Muda celebra a música instrumental em janeiro

Carnaval da Muda celebra a música instrumental em janeiro

"Abrimos ainda mais o leque para novos estilos", conta guitarrista do Iconili

"Abrimos ainda mais o leque para novos estilos", conta guitarrista do Iconili

Erivan contou ao Moozyca como o Rap o levou do Castelo Encantado à Finlândia

Erivan contou ao Moozyca como o Rap o levou do Castelo Encantado à Finlândia

"Experimental Jet Set, Trash and No Star", o resgate do Sonic Youth

"Experimental Jet Set, Trash and No Star", o resgate do Sonic Youth

Toninho Ferragutti, Renato Borghetti e Mestrinho homenageiam o acordeão

Toninho Ferragutti, Renato Borghetti e Mestrinho homenageiam o acordeão

Jazz nos Fundos reabre e inaugura Centro Cultural da Música Instrumental

Jazz nos Fundos reabre e inaugura Centro Cultural da Música Instrumental

Banda Aeromoças e Tenistas Russas lança clipe de "Bagdah Battery”

Banda Aeromoças e Tenistas Russas lança clipe de "Bagdah Battery”

10 álbuns com 10 anos que ainda aparecem no shuffle do meu celular

10 álbuns com 10 anos que ainda aparecem no shuffle do meu celular

Banner Moozyca

+ Moozyca

Inscreva-se no Moozyca

Anúncie aqui